História do bairro de Moema

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No ano da comemoração dos 80 anos do Colégio reviver sua história é uma forma de valorizar a memória dos que viveram e transformaram esse local tão querido por todos. Através das lembranças, histórias, risos e aprendizados, os mais experientes compartilham com os mais novos o despertar da cidadania, do pertencimento e identificação com o local onde os alunos e professores crescem… Nesse sentido, para contar a história completa do CONSA é preciso contar também a história do desenvolvimento do bairro de Moema. Isso porque a fundação do colégio é parte integrante do processo de urbanização e crescimento da cidade de São Paulo, e também do bairro.

Mas essa memória não vive apenas no âmbito subjetivo e inatingível.  Ela também pode ser contada através de uma atenta análise da paisagem. Para isso, escolhemos contar a história do bairro – e também da nossa escola – através da observação de suas ruas e avenidas que todos nós atravessamos cotidianamente sem ter dimensão de toda a vivencia que elas carregam.

Carros-de-boi e ocupação indígena

Ao contrário do que muitos pensam, quando começou a ocupação de Portugal no Brasil, os índios já tinham várias rotas abertas por todo o interior do país. É em uma dessas rotas que começa a história do bairro de Moema, uma antiga estrada de terra batida por onde circulava artigos de necessidades básicas através dos carros-de-boi. Atualmente, essa estrada se transformou em uma avenida bastante conhecida, a Av. Santo Amaro.    

Nos trilhos do trem e dos bondes

A partir do final do século XIX, com a consolidação ferrovia que ligava o centro da cidade com o distrito de Santo Amaro, teve início o processo de urbanização com a aglomeração dos próprios trabalhadores que trabalhavam nos trilhos, muitos imigrantes da Inglaterra e Alemanha.

Depois vieram os bondes, instalados pela companhia Light, que ampliaram a urbanização em torno das paradas. Ainda é possível ver os resquícios de seus trilhos em algumas esquinas da Av. Ibirapuera.  Uma dessas paradas era a parada de Moema, perto do atual Largo de Moema.

Loteamento e grandes avenidas

As terras que deram origem ao bairro eram parte de uma grande extensão de terra chamadas de “Sitio da Traição”. Esse nome seria consequência do fato de que o bandeirante paulista Borba Gato teria sofrido uma emboscada de seu próprio filho adotivo nesse local muitos anos antes, perto da atual Av. dos Bandeirantes. Além da atual Moema, o sitio abrangia as regiões de Jabaquara, Vila Mariana e Campo Limpo.

Em 1912, esse sítio foi comprado por Fernando Arens Junior, responsável pelo loteamento desses bairros e pela abertura da primeira grande avenida cruzando toda a extensão das terras que foi batizada de Av. Araci, atual Av. Ibirapuera. Os nomes das ruas relacionados à pássaros e nomes de índios remete ao fato de que originalmente a vegetação dessa área era parte da Mata Atlântica.

Industrialização e Largo de Moema

A história do colégio se cruza com a história do bairro a partir da década de 30. Moema vivia um processo de expansão com a instalação de muitas fábricas, vilas operárias com muitos imigrantes europeus e a vinda de moradores ilustres.

Um dos mais importantes foi Raul Loureiro, procurador geral do Fisco de São Paulo, que construiu o primeiro casarão da localidade, perto da antiga parada de Moema. A estrutura desse casarão abriga atualmente o restaurante “La Sorella”, que ainda expõe a escultura de dois leões de cobre que antigamente adornavam a entrada do casarão, além de outros utensílios originais.

Foi ele quem lutou pela construção da Igreja de Nossa Senhora Aparecida e a praça que hoje formam o Largo de Moema. O terreno foi doado por Fernando Arens Junior e a pedra fundamental lançada em 1933. Esta foi a primeira igreja em homenagem à padroeira do Brasil da cidade de São Paulo.

Associação dos proprietários de Indianópolis e Instituto Nossa Senhora Aparecida

Ainda sob iniciativa do Sr. Raul Loureiro foi fundada a Associação dos proprietários de Indianópolis que trouxe diversas benfeitorias ao bairro, tais como a canalização dos córregos, a nomeação de ruas e, finalmente, a fundação do Colégio Nossa Senhora Aparecida, em parceria com a igreja, no ano de 1937.

Inicialmente, o colégio foi instalado em uma casa cedida pela família Loureiro e se chamava “Escola Católica das Servas do Espirito Santo”, onde se ministravam aulas apenas do ensino primário.

Fundação do CONSA e oficialização do nome do bairro

Somente em 1940, inicia-se a construção do prédio na Alameda Jauaperi onde o colégio funciona até hoje. Em 1947, a instituição foi assumida pelas irmãs Franciscanas de Ingolstadt, vindas da Alemanha e o Colégio rebatizado como Colégio Nossa Senhora Aparecida, carinhosamente chamado de CONSA por todos nós.

Apesar de ser chamado pela população como Moema, o bairro era nomeado como Indianópolis até 1987. Somente a partir desta data o prefeito reconhece a vontade popular e oficializa o nome do bairro como era conhecido por todos.

80 anos transformando e educando

Hoje, Moema é um dos locais com menor taxa de crimes e maior taxa de escolaridade na cidade e já passou por distintas fases de desenvolvimento. Já foi ocupado por índios, passou pela fase de industrialização e fixação de imigrantes europeus nas vilas operárias e, atualmente, é uma área muito valorizada, repleta de comércios e áreas de lazer, como o próprio Parque Ibirapuera e o Shopping que marcaram o desenvolvimento da região.

Nosso colégio é parte dessa história, com o orgulho de ter sido fundamental na educação de várias gerações que fundaram o bairro, alteraram a paisagem e contribuíram com o desenvolvimento da cidade.  Todos nós – pais, estudantes e funcionários –  que construímos o CONSA devemos nos orgulhar de nosso passado para continuar promovendo o futuro!